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Aug
27th
Thu
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A sala de estar para onde ele me conduziu era simples, bem arrumada e acolhedora: um grande tapete circular artesanal, algumas poltronas, um velho sofá, uma comprida parede forrada por estantes cheias de livros, um piano, um toca-discos, uma mesa de carvalho com pilhas de revistas e publicações sistematicamente arrumadas. Acima dos lambris brancos, as paredes amarelas tinham por única decoração meia dúzia de aquarelas, feitas por um amador, mostrando a velha casa de fazenda em diferentes épocas do ano. Além dos largos peitoris forrados com almofadas e das desbotadas cortinas de algodão meticulosamente abertas, pude avistar os galhos desfolhados de grandes bordos escuros e campos cobertos de neve. Pureza. Serenidade. Simplicidade. Isolamento. Toda a concentração, brilho e originalidade de uma pessoa preservados para a vocação extenuante, exaltante, transcendente. Olhando em volta, refleti: “É assim que viverei”.
— Philip Roth
Diário de Uma Ilusão